No torneio de qualificação que decorreu em Portugal, na cidade de Coimbra, entre 24 e 27 de março, Portugal teve dificuldades em aceder aos lugares que permitiam o bilhete para os Jogos Paralímpicos de Paris’2024.
Em pares BC3, o arsenalista José Gonçalves e Ana Costa iniciaram a prova vencendo Singapura e de seguida o Perú, no seu grupo de apuramento (Grupo A). No terceiro jogo perante a Grã Bretanha somaram a primeira derrota e, depois, no jogo decisivo, perante a Grécia, a derrota voltou a surgir, o que originou um empate entre os três segundos classificados do grupo, Portugal, Perú e a Grã-Bretanha, sendo que este ultimo país levou a melhor após a aplicação dos critérios de desempate, acabando por vencer a prova.
Em pares BC4, Carla Oliveira e Nuno Guerreiro também encontraram muitas dificuldades em contornar os seus adversários, somando derrotas com os seus adversários do grupo (Grupo B), Japão, Hungria, Malásia e o Brasil.
Deste modo, Portugal não consegue qualificar os seus dois pares BC3 e BC4 para os jogos de Paris. Pela primeira vez, Portugal não será representado em todas as divisões da modalidade, fruto da crescente alta competitividade, e de um cada vez maior numero de países com uma aposta forte na modalidade, cenário previsível, e que se vem antecipando já há alguns anos.
Será necessário dotar a modalidade dos instrumentos necessários para corresponder às exigências atuais e permitir aos atletas, técnicos, clubes e seleção, lutarem com os seus adversários ao mais alto nível:
- A falta da criação de uma federação nacional, enraizada em associações regionais, encontra-se a limitar gravemente o futuro da modalidade, tanto a curto prazo como a longo prazo, pois a inexistência de recursos totalmente dedicados e especializados enfermam o desenvolvimento, com incapacidades visíveis na formação, nos apoios aos clubes, no fomento de dinâmicas locais e regionais (sustento do crescimento alargado e do aparecimento de novos valores), e nas pobres dinâmicas desportivas e competitivas a nível nacional, ou seja na inexistência de uma linha de planeamento a médio e a longo prazo.
- Uma orientação, quase exclusiva, para a alta competição, diminuindo o esforço nas componentes da formação, nas maiores dinâmicas desportivas locais e regionais, na sensibilização e apoio aos clubes, e a novos clubes e instituições, para uma maior generalização da prática, e da formação dos novos atletas e técnicos, comprometem o desenvolvimento interno, apesar de se manterem a projeção externa do país e os reduzidos benefícios que deveriam advir para as novas gerações de jogadores e de praticantes.
- A redução persistente do número de praticantes, felizmente disfarçada por novos atletas e clubes e pela persistência de alguns “antigos” atletas, numa modalidade onde a idade não é condicionante, acaba por ser preocupante. A “desistência” de muitas instituições (APC) da vertente desportiva, transferindo para os clubes a responsabilidade de responder às necessidades desta população, reduzindo a oferta em vez de manter e apoiar o aumento das oportunidades, por dificuldades financeiras e de orientação, tem levado à crescente desertificação de regiões quanto à existência destas respostas desde a recreação à competição, como a manutenção de inexistência, ou de fugazes aparecimentos, de jogadores em zonas do país extremamente pobres, ou sem qualquer representação na modalidade.
- A inexistência de apoios aos clubes que, com todos os sacrifícios, implementam e desenvolvem a modalidade, numa área extremamente difícil, em termos económicos, de espaços, de transportes, de recursos humanos, e garantem as respostas desde a formação à alta-competição, encontra-se a ser um fator decisivo nas limitações que não se alteram, nem se encontrando estímulos para que mais clubes surjam, mas que os existentes repensem se continuam.
- Não sendo, aparentemente, uma questão de falta de recursos económicos, importa uma reflexão que, ao longo dos anos, sucessivamente, se entende fazer, mas que nunca se faz com avaliações e reflexos práticos que conduzam a um plano de desenvolvimento, não só com objetivo nas medalhas mas na efetiva resposta a todos aqueles que desejam praticar a modalidade, e a muitos outros que nem sequer têm a oportunidade de a conhecer ou de a praticar, e que continuam a ser limitados nesse seu desconhecimento, desejo e direito.
















































