José Abílio Gonçalves vence a Taça do Mundo de Boccia, que decorreu entre 10 e 18 de agosto, em Curitiba, no Brasil.
O arsenalista partiu para esta prova como o 2º atleta com ranking mundial mais elevado no seu grupo e 4º atleta com ranking mais elevado (15º rank mundial), tendo defrontado, nesta fase, o grego Grigorios Polychronidis (3º rank mundial), Alouysius Gan de Singapura (16º rank mundial); Dean Acosta do Perú (23º rank mundial) e Neri Tay, da Guatemala (61º rank mundial). José Abílio Gonçalves venceu todos os jogos com exceção do realizado perante o atleta de Singapura, o qual perdeu no parcial de desempate.
Passando em segundo lugar do seu grupo de apuramento, defrontou nas meias finais o atleta brasileiro Mateus Carvalho (6º rank mundial) que venceu, voltando a encontrar o atleta de Singapura na final, onde arrecadou a medalha de ouro. Com a medalha de bronze ficou o atleta de Hong Kong, Tak Wa Tse (11º do ranking mundial).
Depois de ter vencido a edição de 2024, desta Boccia World Cup, em Portugal, o arsenalista volta a vencer, e depois de se ter sagrado Campeão da Europa, em Julho, na Croácia.
Consistência brutal, do Tetracampeão Nacional Masculino da classe BC3, um jogador que tem demonstrado uma invulgar capacidade e talento, para além de uma enorme resiliência e extraordinária capacidade de sacrifício perante as inúmeras dificuldades pessoais que teve de defrontar e vencer.
Se há um exemplo a tomar em atenção e a divulgar como imagem do desporto de alta competição é este. Não esqueçamos a elevadíssima competitividade desta classe BC3, enorme como nunca, e então esta conquista e as demais têm um relevo épico.
Décima medalha internacional, desde 2021, ano em que acedeu à seleção nacional, de forma regular. 4 anos extraordinários, e não fossem os inúmeros problemas de saúde, e outras situações limite que teve de enfrentar e superar, como as provas internacionais em que não pôde estar presente por estas razões, então do que estávamos a falar?
Sabemos o quanto o Boccia evoluiu e a dificuldade brutal, hoje em dia, para saber se entramos em jogo e ganhamos e se vamos a uma prova e quem será o vencedor, realidade dura nesta classe BC3 onde as vantagens/desvantagens de um perfil funcional mais ou menos competitivo não se fazem tanto sentir devido à mediação da calha, o elemento normalizador que equilibra e torna mais justa a competição e mais verdadeira a justiça desportiva. Só quem não conhece a realidade internacional, atual, não saberá o que está aqui em “jogo”.
Joana Pereira competiu na prova feminina. A atleta de Este (S. Pedro), 24ª do ranking mundial, defrontou a brasileira Evani Calado (nº 5 rank mundial), a peruana Niurka Callupe (11º rank mundial), a grega Dimitra Papadopoulou (23º rank mundial) e a guatemalteca Eimy Losley (65º rank mundial). Joana Pereira, venceu, somente, o jogo perante a atleta da Guatemala. No entanto, levou o jogo para desempate perante a excelente atleta peruana (3-3); discutiu o jogo com a atleta brasileira (1-4) e com a grega (3-5). No entanto, tal não foi suficiente para a passagem para a fase final, mas foi mais um passo na aquisição de experiência fundamental para o seu recente percurso na alta competição.
Na prova de pares, José Abílio Gonçalves e Joana Pereira apresentaram-se a defender as cores de Portugal, penúltima seleção em termos de ranking em prova (14º rank mundial).
Portugal tinha uma missão difícil para disputar a passagem da fase de grupos, pois teve que se defrontar com Hong Kong (nº 1 rank mundial), com o Brasil (nº 4 rank mundial) e a Grécia (nº 8 rank mundial), situação que se comprovou pela derrota nos jogos efetuados e consequente não passagem às finais.
Mais um passo neste percurso inicial para a luta pela qualificação para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles´28:
– José Abílio Gonçalves a subir fortemente no ranking mundial pelos resultados obtidos nas suas duas ultimas provas onde foi Campeão da Europa (Zagreb) e vencedor da Taça do Mundo (Curitiba).
– Joana Pereira a ganhar experiência nestas provas e patamar de alta competição, necessárias para a continuidade da elevação dos seus critérios de exigência e capacidade de execução.
– O par José Abílio Gonçalves e Joana Pereira, a dar os primeiros passos para recuperar os lugares cimeiros, adaptando-se às elevadas exigências que a classe impõe, necessitando da experiência em provas fortes para desenhar a preparação adequada e ambiciosa, que permita perspectivar a recuperação da presença de Portugal nas próximas paralimpíadas.





